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o blog da outra

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A outra face da moeda

Partilhei aqui a minha satisfação por ter feito um trabalho longo, que me saiu do pêlo e que foi divulgado por toda a estrutura onde me encontro.

Acontece que este trabalho podia ter sido feito com a colaboração dos outros profissionais que trabalham na mesma área ou até por eles sozinhos.

Só que, o que aconteceu foi: na hora do esforço, ficou tudo a olhar para mim com ar de "ainda-bem-que-não-foi-a-mim-que-me-pediram-para-fazer-isso", na hora em que o trabalho foi finalmente divulgado e apresentado às equipas ficou tudo a olhar para mim com ar de "se-eu-pudesse-saía-daqui-so-para-não-ouvir-os-elogios-porque-não são-para-mim".

Pior do que isso é estar no mesmo gabinete (em que se partilha trabalhos e entendimentos sobre as coisas que vão surgindo) e nem uma alma se manifestar e dizer, ficou bom, não gostei, gostei, o que fosse.

A inveja é uma coisa tão, tão feia. 

 

 

Gratificante

É depois de um grande esforço, de levar trabalho para casa, de me dividir para conseguir dar resposta a tudo, receber um email com o reconhecimento pelo bom trabalho, pelo esforço e dedicação. Ver o produto desse trabalho a ser divulgado por toda a estrutura é muito gratificante. Não sei se será o ego, mas sabe bem esse reconhecimento.

Todos os animais são iguais...

...Mas há uns mais iguais que outros.

Já não sei onde ouvi esta frase e sempre lhe achei graça. Tem em si muito de verdade.

Fazendo um paralelismo com a suposta igualdade entre mulheres e homens, e em particular com a igualdade entre mim e o meu companheiro (que não é marido mas também já não consigo chamar de namorado) e de algumas das minhas amigas.

Antes de sermos pais sempre tivemos o hábito (que agora já não sei se era assim tão bom) de cada um ter os seus programas com os respetivos amigos/amigas e outros programas que fazíamos juntos (uns também com amigos comuns).

Acontece que, quer queiramos quer não, a disponibilidade que temos quando temos filhos é diferente da que tínhamos antes. E é óbvio que há fases em que conseguimos ir às coisas juntos e levar o miúdo, não temos de ficar fechados numa redoma de vidro.

Mas há outras fases em que não o conseguimos fazer e temos mesmo de ficar em casa (ora porque o miúdo está doente, ora porque o sítio para onde supostamente iríamos não é apropriado para ele, ou porque simplesmente em certas idades é mais fácil não os levarmos e ficamos melhor com eles em casa).

Não há mal nenhm em nenhuma das opções. Nem mal nenhum em que cada um dos pais possa, de qvez em quando sair com os seus amigos. Muito pelo contrário, acho que é importante e saudável continuar a a fazer isto.

O caso só se torna complicado quando um dos pais assume que tem de continuar a ter a vida que tinha antes de ter a criança, e que por isso não pode perder uma oportunidade e tem que fazer todos os programas que entender, enquanto o outro fica em casa essas vezes todas com o miúdo e não tem quase nenhuma oportunidade de poder também (porque precisa como o outro) sair e fazer qualquer coisa com os amigos (ou até sozinho).

Há ainda muita desigualdade nesta matéria. Alguns homens têm a ideia de que têm "mais direito" a ter tempo para si próprios do que as mulheres, é como se o normal fosse eles sairem sempre e elas ficarem com os filhos sempre. Sei que há muito disto por aí.

Mesmo que até possa ser um gajo que cuida dos filhos e faz de tudo em casa. Há um machismo dissimulado nestas atitudes que me consome e que vou guerreando sempre que me aparece.

É que nisto da parentalidade, para mim, o pai e a mãe são iguais em deveres e direitos. E têm de manter a sua individualidade além desse papel. Quando um acha que "merece" mais que o outro (o que faz ao ignorar as necessidades do outro a nem sequer olhar para elas) vai haver um desequilíbrio e mais peso para um dos lados. Isto também é, infelizmente, maternidade real.

 

 

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