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Mea culpa... tinham todos razão!

por Outra, em 25.09.20

Escrevi pela última vez aqui no dia 6 de março de 2020. Passaram-se exatamente 203 dias. O meu último post falava no alarmismo relacionado com o vírus.

Pois, eu sei. Tinham todos razão. Bastou-me uma semaninha só para perceber que se tratava de uma coisa muito séria...Para todos nós. E mal se sabe das consequências que ainda virão daí.

Como já disse, trabalho num hospital. Não na linha da frente. Mas no backstage, onde se trata de garantir que não falte nada lá na frente, e esse trabalho, digo-vos, também não é fácil.

Foram reuniões de emergência, mudanças de procedimentos, corrida à compra de material, organização do trabalho sem reuniões presenciais...trabalho ao fim de semana, correr, correr, correr. Fecharam as escolas todas. Continuar a trabalhar, dividir-se entre trabalho presencial e teletrabalho.

As coisas complicaram-se ainda mais. Estado de emergência. Aeroportos fechados. Estamos "barricados" na ilha. Vir trabalhar, ficar em casa a trabalhar, ir ao supermercado, ir para casa, ficar em casa. Outra vez estado de emergência, sair para trabalhar , ficar em casa a trabalhar, passar-me da cabeça por não conseguir trabalhar em condições com o puto em casa. Zoom com a educadora, atividades. Trabalhar. Correr atrás...comprar coisas a 100 x o preço original e rezar para que alguém as tenha mesmo assim...continuar. não dá para parar.

Bem ...calamidade. Voltar ao trabalho presencial. sentir um regresso a uma "espécie" de normalidade...abre a escola, ufa, já não conseguia dar conta disto  tudo. Estou cansada . Agora não dá para se queixar, é andar, para frente é o caminho.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 13:17

Desafio de escrita dos Pássaros #2.6

por Outra, em 06.03.20

Oh não, outra vez um vírus!

Toda a gente fala do novo vírus, não sítio onde se esteja que não haja uma tv a passar informações sobre os novos casos, as suspeitas, as quarentenas e as especulações todas que vêm a seguir…

Eu já deixei de ver notícias há muito tempo e acho que é uma decisão sensata, a sério. Se todos os dias estivesse a receber repetidamente informações sobre o vírus, já estava mesmo paranoica!

Lá no hospital (e não, não sou da área de saúde, sei que esses estão mais expostos) criaram uma cabine, ou quiosque, ou sei lá que raio é …para pré-triar os potenciais infetados com o novo Covid-19. É que já nem chegam a entrar na urgência… É bem pensado. Prevenir que haja (potencial) contágio.

Na escola do meu filho já me avisaram de manhã, se tiver febre fica em casa. Assim, sem mais. Se estiver na escola e começar com febre temos de ir imediatamente buscá-lo, caso contrário o miúdo fica fechado numa sala à espera, com uma máscara posta à espera que vamos busca-lo.

E eu pergunto? What?! Mas é mesmo necessário este alarmismo todo? Ou sou eu que estou a subvalorizar a coisa? Cansam-se disto até ao verão? É que quero ir de férias!

Ate lá, vou-me rindo com as piadas bem boas que correm na internet a respeito…

 

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publicado às 15:00

As mãe também são más, mesmo as que são boas

por Outra, em 24.02.20

Estamos longe de imaginar a influência (positiva e negativa) que podemos ter nos nossos filhos, e a qual também absorvemos dos nossos pais, e mais particularmente das nossas mães...

Sempre tive na minha mãe uma referência: persistente, trabalhadora, enérgica, amorosa, prestável, compreensiva... Mas acho que nunca tinha entendido que no reverso destas caraterísticas estaria a exigência, as elevadas expectativas, a cobrança, o julgamento até...

Não me entendam mal. Eu tenho as melhores coisas a dizer sobre a minha mãe. Mas se parar para pensar bem, ela consegue fazer-me sentir mal quando as coisas não correspondem extamente às expectativas dela...e isso esmaga-me.

Tenho 38 anos, portanto deveria ter a segurança de fazer as minhas escolhas de acordo com aquilo que gosto, mesmo que não seja (e não é) exatamente aquilo que ela gosta. Percebi que a opinião dela (que facilmente se transforma em crítica/julgamento) ainda me condiciona muito, ao ponto de me preocupar ainda com "qual vai ser a reação dela?".

Às tantas eu é que estou a pensar mal, mas não consigo simplesmente não me importar com  o que ela possa pensar ou com as suas reações. E mesmo conseguindo antecipá-las, ela ainda consegue fazer-me sentir como uma criança pequena que acabou de fazer alguma coisa que não devia...

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publicado às 13:05

a propósito

por Outra, em 09.01.20

Ali o Dr. Doutor, que sigo com muita atenção, fez-me lembrar o início deste blog. O meu 1.º post. Fui lá ler. Não dizia nada de especial, apenas me descrevia minimamente. Só que esse primeiro post não conta uma coisa muito importante. Este não foi o meu primeiro blog. Pois não. E não há amor como o primeiro. Só que, por vaidade, contei a algumas pessoas que o tinha. Deixou de ser tão privado como eu gostaria...mesmo assim continuei. Só que, contei lá a minha história do parto, que se passou no único hospital da zona, que conheço demasiado bem...Assim optei por fechar esse blog e abrir este, sem nunca ter contado a ninguém da sua existência.

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publicado às 13:45

Desafio dos pássaros #16

por Outra, em 03.01.20

Sobre a vida adulta: ainda não entendi o que é para fazer...

Achei sempre que não ia chegar à vida adulta. Sim, era um medo estúpido qualquer que não me deixava fazer grandes planos a longo prazo. Sabia só que não queria ser como toda a gente: ter um trabalho, uma casa, filhos, enfim, o que eu achava ser uma vida demasiado simples para mim. Queria fazer mais, ser mais...não sabia concretamente onde faria a diferença, mas tinha a certeza que faria...Soube apenas o que queria estudar...já não foi mau.

Tudo aquilo que achei simples demais naquela altura, deixei de achar e sim também quis um trabalho, uma casa, um filho. Descobri que a vida adulta traz muita coisa que não interessa: impaciência, rabugice, intrigas, conflitos, guerras no trabalho, guerras por causa de bens , pais que não falam com filhos, filhos que não falam com os pais.

Descobri que se é assim, então não entendi mesmo o que é para fazer! Porque na verdade o maior desta vida são as coisas pequenas, simples, aquelas da simplicidade que eu tanto desdenhava...E é nessas coisas simples que me revejo...

Só sei o que não é para fazer. O resto, vou descobrindo.

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publicado às 18:00

Desafio dos pássaros #15

por Outra, em 03.01.20

 Sobre o tema #15, o Rodolfo (Escreve-se com O , não com U) ficou tão traumatizado com o facto de lhe escreverem mal o nome que decidiu que a única prova a que submeteria o novo pai-natal seria um desafio de escrita...do seu nome...

Sabem que mais? estragava-se o natal se não fosse um rapazinho chamado Rodolfo que chegou e passou com distinção no teste!

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publicado às 17:30

Desafio dos Pássaros #14 - Não nasci para isto

por Outra, em 19.12.19
Ser tralheira e acumular coisas, 
Ser mãe de mais do que um filho,
Fazer dieta,
Correr,
Fazer fretes,
Gostar de política ou de mariscos,
Tolerar gente cínica, falsa,intriguista e malandra
Não trabalhar,
Jogar cartas,

Calar-me perante injustiças,
Escrever em dias marcados,
Não, não nasci para isto...

 

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publicado às 17:14

Desafio dos Pássaros #13

por Outra, em 12.12.19

Não vou mentir. Este foi de longe o pior tema que me podiam propor para escrita. Não que não goste de cinema, gosto. Mas não me lembro assim ao detalhe dos fins dos filmes a ponto de os reescrever. Os que gosto muito, não lhes mexia nem um bocadinho. Um exemplo é o Forrest Gump. Antigo, eu sei. Mas também já sou...

Daqueles filmes que poderia reescrever o final, lembrei-me da cinderela...vou tentar...

Na versão clássica, quando soam as doze badaladas, o feitiço desfaz-se e a cinderela fica sem o belo vestido que usou para levar ao baile  e sem a carruagem para a levar de volta a casa (porque se transforma em abóbora). Mas deixa para trás um dos sapatinhos de cristal que levava calçados...No dia seguinte, o príncipe pega no tal sapatinho e percorre o reino à procura do pé em que ele calça na perfeição. E a felizarda é a Cinderela, pois claro! Casa com o príncipe e são felizes para sempre!

Na minha versão , quando soam as doze badaladas, tudo se transforma em abóboras, o vestido, a carruagem e os sapatos. Então, no dia seguinte, o príncipe, tendo ficado muito desconcertado com a quantidade de abóboras na escadaria do seu palácio, pensou  e pensou como poderia encontrar aquela doce rapariga que tinha dançado com ele?! Não havia pista nenhuma acerca dela, nada de nada. Ele lançou um repto ao reino : a donzela que soubesse transformar aquelas abóboras em algo com sabor divino, teria uma grande recompensa...Cinderela apresentou-se no palácio e fez doce de abóbora, que o príncipe provou e adorou. Embora a tivesse reconhecido logo, deixou-a fazer a sua magia, e como combinado pagou-lhe a recompensa que tinha prometido. Ela recebeu e foi-se embora. Arrranjou uma pequena casa e passou a fazer doce de abóbora para vender para todo o reino, tornando-se auto-suficiente. Viveu feliz para sempre, sem principe mas com a melhor companhia, a dela própria!

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publicado às 15:12

Desafio dos Pássaros #12

por Outra, em 05.12.19

Acordo quase sempre à mesma hora com o chilrear. São eles outra vez. Os pássaros. Atrás da minha casa, nesse tempo, que parece um outro tempo tão distante, existiam muitas árvores de fruto onde os pássaros faziam os seus ninhos. Não era raro irmos à procura deles. Sabíamos que eram de melro preto ou de papinha (não sei qual o nome verdadeiro destes pássaros...) Os adultos avisavam-nos sempre: "podem ir lá ver o ninho mas se houver lá ovos, não lhes toquem, porque as mães percebem e depois enjeitam os ovos, e não há passarinhos". Nós andávamos sempre lá à volta para ver quando é que finalmente apareceriam os pássaros. Primeiro, eram umas criaturas minúsculas, quase só se lhes distinguia o bico. Depois iam crescendo, crescendo, até que certo  dia chegávamos lá e o ninho estava vazio...aí sim já lhe podíamos mexer e perceber de que era feito, um monte de ervas e paus pequeninos encostadinhos uns aos outros, numa construção de certeza demorada e minuciosa. Era um tempo mágico, da primavera ao verão...sempre ao som daqueles pássaros que nunca se calavam.

Hoje, há poucas árvores lá. Mesmo assim, esta primavera vou levar o meu filho e vamos procurar juntos por um ninho de melro preto ou de papinha, para que ele guarde também a magia de ver, primeiro os ovos, depois os pássaros e finalmente perceber que já lá não estão porque aprenderam a voar... 

 

 

 

 

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publicado às 13:30

Desafio dos Pássaros tema #11

por Outra, em 22.11.19

Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação*

Será que falta muito para a dona sair para trabalhar? Mal posso esperar para me esgueirar lá para dentro para a cama da dona mais nova. Se o dono me deixar entrar como já é seu costume…ele vai levá-la ao trabalho e não são raras as vezes em que me deixa entrar.

Desculpem, nem me apresentei. Sou a “Melas”, diminutivo de ramelas. Sou uma gata tricolor e pertenço à 4.ª geração de gatos nascidos nesta casa. Por isso nasci com um problema nos olhos. Ninguém dava nada por mim. Foram os mais novos que trataram de mim e me limparam os olhos todos os dias…Mas vamos lá a um dia de aventura aqui em casa.

Quando a dona sai, o dono deixa-me entrar em casa. Vou de mansinho e salto para a cama da dona mais nova, aninho-me ali por cima da manta junto às pernas dela ou ao pé da cabeça. Espero que ela nem perceba que estou ali porque senão quer puxar-me e fazer festas, e isso é coisa que hoje não me apetece.

Ficamos as duas a dormir e quando ela se levanta também para ir trabalhar, sigo-a e fico à espera dela na porta da casa de banho. Ela vai tomar o pequeno-almoço depois. Há de chegar qualquer coisa para mim. Fiambre, queijo, mmmm maravilha.

Depois de todos saírem para trabalhar fico nas redondezas, a passear, caçar se me der fome e se estiver sol estendo-me no quintal…

Ao fim da tarde chegam todos, uns com mais pressa, outros nem tanto. Enquanto a dona trata do jantar vou-me enrolando nas pernas dela a ver se a convenço a fazer-me uma festa, ou a ir dar-me comida. Tenho sempre fome. Mas ela não facilita. Não me liga nenhuma.

Os mais novos chegaram. É hora de mimo. São capazes de estar um tempão a fazer-me festas. Ronrono de felicidade. Na hora de jantar deixo-me ficar debaixo da mesa sossegada enquanto jantam e conversam. Dão-me sempre algo para comer.

A minha parte favorita do dia é quando vão para a sala, ver televisão. Aninho-me num colo, ou junto das almofadas e ali fico a dormir. O que mais gosto é que sinto que estou mesmo em casa.

*Neste momento não tenho nenhum animal de estimação, mas já tive alguns em casa dos meus pais e este texto vem dessas memórias.

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publicado às 15:00


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