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Três em um

por Outra, em 27.09.17

Mea culpa. Todas as tarefas (e todas as outras pessoas) têm sido mais importantes que eu. Não dediquei uum minuto que fosse nos últimos tempos a pensar em mim e nos meus objetivos.

A míseros 4 meses de acabar mais um ano assumo, com vergonha (que isto aqui serve mesmo de diário, qb), que não cheguei a escrever sequer os meus objetivos para o ano de 2018.

E se não os escrevi, não posso avaliar em que medida é que  (não) os cumpri. Não posso é deixar de parar por um momento para resumir o que foram os últimos 4 meses :

 

Junho:

 - Foi o mês de colocar na prática as mudanças anunciadas em maio. Mais trabalho e dedicação;

- Deixei de comer chocolates um mês seguidinho. Fez-me bem. Notei sobretudo na pele;

 - Pratiquei yoga uma ou duas vezes num mês inteiro. Não é suficiente. Começo a ressentir-me da falta da prática mas preciso de arranjar uma nova escola, não vou lá sozinha (ainda);

- Fiquei doente. Febre como nunca tive. Uma infeção, um antibiótico e outra infeção. Mais consequências da minha falta de cuidado comigo...

Julho:

 - Trabalhei muito e vi reconhecido o esforço de um trabalho extra que me foi pedido. É bom saber que somos valorizados. Por outro lado, é triste ver a inveja alheia. E ter de conviver com ela todos os dias.

- Finalmente levei o miúdo a um especialista (alergologia)  para ver se terminam as crises respiratórias. Notei logo diferenças.

- Não pratiquei yoga nenhuma vez em casa, nem fora dela.

- Continuei a não comer chocolate. E Não custou assim tanto.

 

Agosto:

- Trabalho, trabalho e mais trabalho...e a espera pelas férias que nunca mais chegavam.

- Há 5 anos que não tinha férias de 3 semanas ( tirei nestes últimos anos apenas 1 semana). Ao menos deu para desligar. Pelo meio muitas tarefas domésticas a preparar uns dias fora.

- Férias com os amigos do costume. Praia. cervejas e conversas até mais tarde. A certeza de que há amigos que são mesmo para a vida toda. Se não forem aqueles, não são nenhuns.

-A certeza de que faço muita coisa sozinha, que sobra tudo para mim. Saltou-me a tampa. Preciso que as tarefas sejam divididas. Exijo agora, todos os dias que sejam divididas.

- Nada de yoga. E de volta ao chocolate.

 

Do que ainda não fiz (em nenhum dos meses):

Arrumar o roupeiro. Não sei explicar porquê mas falta-me a coragem para tirar tudo de lá de dentro e fazer o armário cápsula (na verdade ele já é assim, não percebo a minha própria resistência. A propósito dei o 1.º passo ontem e fui comprar duas caixas organizadoras para o roupeiro.)

 

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publicado às 13:20

Queis Bouo*, mãe

por Outra, em 15.09.17

Acordei estremunhada pelas 6 da manhã e olhei à minha volta: estava já numa enfermaria. Lembrava-me bem da viagem desde o recobro umas horas antes, quando reinava o silêncio.

Não havia barulho também na enfermaria. Mas não estava sozinha. À direita uma senhora, que chorava baixinho e à esquerda outra, mais conformada.

Não havia choro de bebés...Mas todas tinhamos acabado de os ter. Por isso foi estranho que não estivessem ali,ao nosso lado. Foram 9 meses à espera de o conhecer e depois vi-o por breves momentos...acho que naquele instante já nem me lembro da cara dele...

Percebemos também que todos estavam na mesma situação: internados na neonatologia. Uma, porque nascera prematura. Os outros dois porque nasceram com uma infeção e tiveram de fazer logo testes e antibióticos.Duas de nós a recuperar de umacesariana. A outra, parto normal.

Vi o meu filho praticamente 12 horas depois de ele nascer, ali estava ele numa incubadora aberta com uma chucha transparente com bolas azuis. Tinha uns olhinhos curiosos como se procurasse perceber onde é que estava. O ambiente era acolhedor e o silêncio era apenas interrompido pelos bips dos aparelhos. Peguei-lhe ao colo pela primeira vez. Era dia 15 de Setembro de 2015. Parabéns, filho. Hoje há bolo.

 

*quero bolo, mãe

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publicado às 09:53

A outra face da moeda

por Outra, em 24.07.17

Partilhei aqui a minha satisfação por ter feito um trabalho longo, que me saiu do pêlo e que foi divulgado por toda a estrutura onde me encontro.

Acontece que este trabalho podia ter sido feito com a colaboração dos outros profissionais que trabalham na mesma área ou até por eles sozinhos.

Só que, o que aconteceu foi: na hora do esforço, ficou tudo a olhar para mim com ar de "ainda-bem-que-não-foi-a-mim-que-me-pediram-para-fazer-isso", na hora em que o trabalho foi finalmente divulgado e apresentado às equipas ficou tudo a olhar para mim com ar de "se-eu-pudesse-saía-daqui-so-para-não-ouvir-os-elogios-porque-não são-para-mim".

Pior do que isso é estar no mesmo gabinete (em que se partilha trabalhos e entendimentos sobre as coisas que vão surgindo) e nem uma alma se manifestar e dizer, ficou bom, não gostei, gostei, o que fosse.

A inveja é uma coisa tão, tão feia. 

 

 

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publicado às 12:05

Gratificante

por Outra, em 14.07.17

É depois de um grande esforço, de levar trabalho para casa, de me dividir para conseguir dar resposta a tudo, receber um email com o reconhecimento pelo bom trabalho, pelo esforço e dedicação. Ver o produto desse trabalho a ser divulgado por toda a estrutura é muito gratificante. Não sei se será o ego, mas sabe bem esse reconhecimento.

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publicado às 15:48

Todos os animais são iguais...

por Outra, em 06.07.17

...Mas há uns mais iguais que outros.

Já não sei onde ouvi esta frase e sempre lhe achei graça. Tem em si muito de verdade.

Fazendo um paralelismo com a suposta igualdade entre mulheres e homens, e em particular com a igualdade entre mim e o meu companheiro (que não é marido mas também já não consigo chamar de namorado) e de algumas das minhas amigas.

Antes de sermos pais sempre tivemos o hábito (que agora já não sei se era assim tão bom) de cada um ter os seus programas com os respetivos amigos/amigas e outros programas que fazíamos juntos (uns também com amigos comuns).

Acontece que, quer queiramos quer não, a disponibilidade que temos quando temos filhos é diferente da que tínhamos antes. E é óbvio que há fases em que conseguimos ir às coisas juntos e levar o miúdo, não temos de ficar fechados numa redoma de vidro.

Mas há outras fases em que não o conseguimos fazer e temos mesmo de ficar em casa (ora porque o miúdo está doente, ora porque o sítio para onde supostamente iríamos não é apropriado para ele, ou porque simplesmente em certas idades é mais fácil não os levarmos e ficamos melhor com eles em casa).

Não há mal nenhm em nenhuma das opções. Nem mal nenhum em que cada um dos pais possa, de qvez em quando sair com os seus amigos. Muito pelo contrário, acho que é importante e saudável continuar a a fazer isto.

O caso só se torna complicado quando um dos pais assume que tem de continuar a ter a vida que tinha antes de ter a criança, e que por isso não pode perder uma oportunidade e tem que fazer todos os programas que entender, enquanto o outro fica em casa essas vezes todas com o miúdo e não tem quase nenhuma oportunidade de poder também (porque precisa como o outro) sair e fazer qualquer coisa com os amigos (ou até sozinho).

Há ainda muita desigualdade nesta matéria. Alguns homens têm a ideia de que têm "mais direito" a ter tempo para si próprios do que as mulheres, é como se o normal fosse eles sairem sempre e elas ficarem com os filhos sempre. Sei que há muito disto por aí.

Mesmo que até possa ser um gajo que cuida dos filhos e faz de tudo em casa. Há um machismo dissimulado nestas atitudes que me consome e que vou guerreando sempre que me aparece.

É que nisto da parentalidade, para mim, o pai e a mãe são iguais em deveres e direitos. E têm de manter a sua individualidade além desse papel. Quando um acha que "merece" mais que o outro (o que faz ao ignorar as necessidades do outro a nem sequer olhar para elas) vai haver um desequilíbrio e mais peso para um dos lados. Isto também é, infelizmente, maternidade real.

 

 

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publicado às 13:51

sem palavras

por Outra, em 21.06.17

Não há palavras para descrever a tristeza perante o cenário de destruição dos incêndios deste fim de semana. Tantas vidas, tantas. Tanta destruição. Tanta dor.

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publicado às 12:42

Maio

por Outra, em 06.06.17

Já vou com 6 dias de atraso, mas para não me esquecer, aqui fica.

- Trabalhei mais que muito e não vislumbro onde está a bonança…continua a tempestade. Ao menos não me aborreço com falta do que fazer.

- Esperei, esperei, esperei …mas tive a felicidade de assistir a uma mudança (laboral) necessária, identificada, e acima de tudo justa mas que tardou a concretizar. Mais vale tarde que nunca. Quem espera sempre alcança, Karma is a bitch, chamem-lhe o que quiserem. Voltei a ter (um bocadinho de) esperança de que o mundo não é dos chicos espertos. Deixem-me acreditar.

- Consegui estabelecer limites e não levo trabalho para casa. Ao menos nisso estou a ser disciplinada.

- Pratiquei yoga em casa 1 vez por semana. Ainda é pouco, preciso de aumentar a frequência das minhas práticas. É de facto impressionante como me faz falta a pática regular.

- Fiz algumas aquisições básicas para o guarda-roupa de verão. Falta tirar tudo do armário e arrumar. Ando a descobrir o meu estilo (para alguns será a falta dele, mas também não me importo nada com isso), o pinterest tem-me dado algumas ideias giras de como combinar coisas que tenho.

-Rendi-me às evidências. Não consigo dar conta de todas as tarefas domésticas. Solução: pago para me passarem a roupa a ferro. É o meu pequeno luxo.

- Tenho passado tempo de qualidade com o pequeno, a brincar. Uma das melhores coisas sobre ter filhos é brincar com eles, rir com vontade das brincadeiras mais básicas, ser criança outra vez. Ah, esta parte da maternidade é maravilhosa!

- Estou a ler um livro que mistura pássaros e uma história de amor. Não acho piada nenhuma a pássaros. E ando assim a modos que descrente em histórias de amor. E mesmo assim a história prendeu-me. Lá no meio da história um carro, e memórias do meu pai. Tenho tantas saudades dele.

- Ando definitivamente a cortar com o que não quero ou com o que me pesa nesta vida. Se é para ser feliz com as coisas pequenas, assim seja. Mas para isso é preciso que estejam 2 pessoas na mesma sintonia. Não vale de nada estar com merdices e a dar cinquenta oportunidades e as coisas continuarem na mesma. Ao contrário da canção, o meu coração não pode amar pelos dois.

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publicado às 14:06

Do verbo mudar

por Outra, em 16.05.17

As pessoas são muito engraçadas. Estão sempre insatisfeitas. Não gostam do trabalho, do chefe, as tarefas, da estrutura, da secretária ou da cadeira. São, por outro lado, quase sempre incapazes de se mexer para mudarem aquilo que não gostam, então é mais fácil ficar sentado a lamentar-se do trabalho, do chefe, das tarefas, da secretária, da cadeira...

Se aparecer alguém que mexa na estrutura (que não gostam), no trabalho (que não gostam), no chefe (que não gostam) , na secretária (que não  gostam) ou na cadeira (que também não gostam), como é que reagem? Ficam contra a mudança e não querem fazer parte dela. Ficam insatisfeitos outra vez, porque afinal se calhar não se estava tão mal naquele ram-ram de queixinhas constantes e dedos apontados aos problemas da estrutura.

E, uma vez colocadas perante a inevitabilidade de mudança, colocam-se logo a um canto a amaldiçoar as ideias alheias, armadas em verdadeiras aves agoirentas a adivinhar um futuro negro.

Mas sabem, por mais cliché que isto possa parecer, a única certeza da vida, em todos os seus aspectos, é a mudança, e é bem imbecil aquele que acha que se pode permanecer dentro de uma redoma, incólume à evolução.

Lidar com gente assim, não é só improdutivo, é cansativo.

 

 

 

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publicado às 13:42

Breves #19

por Outra, em 11.05.17

Chove lá fora. Preciso desesperadamente de me concentrar e acabar um trabalho importante. Pus os phones, oiço música a ver se isso de alguma forma me ajuda a concentrar. Disperso uma e outra vez. Estou cansada. Preciso das férias que não tenho há mais de 3 anos. Olho para o relógio e vejo o prazo a aproximar, tenho que continuar, não há tempo sequer para me lamentar. 

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publicado às 12:10

Amor de mãe

por Outra, em 22.04.17

Há pouco tempo perguntaram-me como era afinal essa "coisa" do amor de mãe, se era mesmo o melhor amor do mundo como toda a gente diz. E se era ssim uma coisa tão diferente de tudo o que eu já tinha sentido até hoje.

Não sei se será o mesmo para todas (é certo que não será) e só posso falar por mim. É diferente de tudo o que já senti. Foi estranho ao início e não foi amor à primeira vista. Mas depois foi crescendo de dia para dia, e quando pensava que já não podia ser maior, continu(a)ou sempre a crescer. Ao mesmo tempo, implica renunciar a tanto do que julguei como a minha identidade, o meu "eu" e isso (para mim) não tem sido fácil. É também ter medo de morrer, para não lhe faltar. É ter de parar para pensar no que é melhor para ele (sem nunca esquecer aquilo que quero para a minha vida). Resumindo:  É o mais puro amor, mas é também (para mim) o que causa mais dor. 

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publicado às 23:30


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