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Desafio dos Pássaros #2 - O amor e um estalo

por Outra, em 20.09.19

Ela atendeu o telefone e do outro lado era ele. Estava furioso e desatou a chamar-lhe puta. Assim, sem mais nem menos. Ela, do outro lado do oceano, no resto do seu último ano de faculdade, não fazia ideia do que poderia ter originado aquilo.

Constou-lhe, a ele que ela teria tido um caso com um amigo comum de ambos, que era convívio frequente com eles naqueles anos de faculdade. Não lhe passou pela cabeça sequer pensar se aquilo tinha algum fundo de verdade, ou se fazia sentido sequer.

Preferiu acreditar numa pessoa que não conhecia. E partiu do princípio que estava certa, quem mentia era ela, que sempre conheceu, não o quase desconhecido que lhe plantou a semente da desconfiança. E chamou-lhe puta vezes sem conta. A ela isso doeu mais do que um estalo! Aquela sensação de estar a ser julgada sem ter feito absolutamente nada que o justificasse. Ela, por amor, perdoou-lhe.

Mas dizem que o karma é lixado…e que tudo o que nos fazem, mais cedo ou mais tarde volta para nós. Ela sempre acreditou nisso. Esperava que o tempo lhe mostrasse que é mesmo assim.

Muitos anos mais tarde, muitos mesmo, já sem a distância entre eles e o seu amor de décadas, alguém plantou a semente da desconfiança nela. Disseram-lhe que que ele andaria no engate…

Ela ficou danada, apeteceu-lhe insultá-lo e desatar a chamar-lhe nomes. O coração parecia que lhe saltava do peito. Como poderia ele ter-lhe feito aquilo? Ela não queria acreditar!

O que deveria fazer? Espiar-lhe o telemóvel que anda com ele para todo o lado? Confrontá-lo? Ela já se conhecia…não resistiria a mandar uma qualquer piada sobre o assunto para ver a sua reação… Mas que raio. Melhor era mesmo confrontar e perguntar, olhos nos olhos o que tinha ele a dizer sobre o assunto.

Assim fez. Contou-lhe, com toda a calma (mas a tremer por dentro) e pediu-lhe que, em respeito pelo tempo em que já estavam juntos, lhe dissesse se aquilo tinha alguma razão de ser.

Confrontado com a desconfiança dela – porque é impossível que não fique pelo menos uma réstia de dúvida – ele muito indignado pergunta-lhe: Mas preferes acreditar em alguém que não conheces do que em mim? E ela respondeu-lhe: E porque não o faria? Lembro-me que já o fizeste antes. Quem é a puta agora?

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publicado às 15:00


1 Tempero

De belinha fernandes a 20.09.2019 às 23:07

O karma é lixado, mesmo! É uma história mas esta situação é tão frequente que duvido que alguém atravesse a vida sem que lhe suceda algo idêntico.

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